Jornalista aventureira constrói carreira na Europa e lança livro: “Realizei um sonho”

Mariliza Bonesso

A primeira vez que a jornalista brasileira Mariliza Bonesso, 33, saiu do Brasil, foi em 2012. Naquele ano, ela pegou um avião em Curitiba (PR), onde morava, e viajou quase 10 mil quilômetros até a Irlanda, país europeu conhecido por suas lindas planícies verdes.

“Eu queria aprender inglês e, após meses de pesquisa, enquanto ainda trabalhava no Brasil como analista de comunicação, decidi que meu destino seria Dublin, capital da Ilha Esmeralda (apelido carinhoso dado à nação)”, disse ao Brasileuro.

Mariliza ficou cerca de um ano em Dublin. Na capital irlandesa, ela estudou inglês e trabalhou como babá. Ela contou que, na época, também viajou muito pelo Velho Continente. “Um dos países que ganhou meu coração foi a Itália e, por prazer, comecei a ter mais contato com a língua”.

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Descendência italiana e vida na Europa


Mariliza disse que, no período em que estudou inglês na Irlanda e viajou pela Europa, acabou se encantando pela região. Ela decidiu, então, morar definitivamente por lá. Não só viver, mas também construir uma carreira internacional. Para colocar o plano em prática, ela contou que foi em busca de sua cidadania Italiana, projeto que executou com a ajuda de seu pai.

“Meu pai já pesquisava há anos documentos do bisavô dele, que por volta de 1890 saiu de Marcon, na Itália, e chegou a São Paulo. Decidi que iria acelerar o processo e obter a minha cidadania, o que facilitaria todo o meu plano de viver na Europa”.

Depois de alguns anos, Mariliza conseguiu a cidadania. De acordo com o antigo embaixador da Itália no Brasil, Antonio Bernardini, cerca de 30 milhões de brasileiros são descendentes de italianos e têm direito ao documento. Vale lembrar, no entanto, que esse não é o único caminho para morar legalmente na Europa. É possível, por exemplo, viver e trabalhar por lá com visto de empreendedor ou mesmo com visto de trabalho.


Melhor porta de entrada para a carreira internacional é a educação, diz jornalista


No processo para a obtenção da cidadania europeia, Mariliza falou que reforçou o aprendizado de línguas e teve mais contato com profissionais no exterior. Ela contou que nesse período acabou entendendo que, para imigrar e encontrar trabalho mais facilmente na Europa, é muito importante ter uma educação formal no continente.

“Para o brasileiro que deseja perseguir uma carreira internacional e não tem a possibilidade de ser, por exemplo, transferido por uma multinacional para o exterior, eu entendo que a melhor porta de entrada seja por meio da educação formal. Pode ser um curso de graduação, mestrado ou PHD. Com isso, o seu currículo terá mais chance de ser lido, além de você passar a ter mais conhecimento da burocracia, regras e cultura do país onde está radicado”, disse.

Por isso, em 2016, ela se inscreveu no mestrado em Comunicação Estratégia Internacional da Universidade da Borgonha, em Dijon, na França. Um dos requisitos para entrar no curso era o inglês. No processo, ela teve que enviar carta de motivação, currículo, histórico escolar, além de outros documentos. Teve também que fazer uma entrevista com o coordenador do curso. “Passei e dei inicio ao meu sonho”, disse.

Em julho daquele ano, Mariliza arrumou as malas e se mudou para Dijon, capital da Borgonha, região da França conhecida por seus vinhedos.

mariliza bonesso
Centro de Dijon, na França. Foto: Mariliza Bonesso

Jornalista conseguiu estágio na Eslovênia

A pós-graduação na França, como Mariliza esperava, abriu as portas do mercado de trabalho europeu. Quando ainda estava estudando e escrevendo sua tese, ela teve o desafio de encontrar por conta própria o estágio exigido pela universidade.

“O meu primeiro trabalho na Europa, na minha área de estudo, foi, na verdade, um estágio obrigatório. Por meio do Linkedin encontrei a empresa Big Berry, um resort de casas móveis de luxo com sede na Eslovênia, país na divisa com a Croácia”.

Big Berry. Foto: Divulgação

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Eu produzia conteúdos sobre pontos turísticos da Eslovênia e da Áustria, conta jornalista

De Dijon, Mariliza partiu para Gradac, na Eslovênia, para estagiar na Big Berry. No final do período estágio, realizado parcialmente no país e parcialmente na Áustria, Mariliza disse ter sido contratada.

“Foi grande a alegria de receber o convite do CEO da empresa para permanecer no time. Vi ali o meu sonho sendo realizado e o meu trabalho reconhecido. Fiquei um tempo de grande felicidade e contemplação de que o que construí ao longo dos anos não havia sido em vão”, falou.

O trabalho desenvolvido na Big Berry, tanto no estágio como no emprego, foi na área de marketing digital e produção de conteúdo, segundo Mariliza.

“Eu produzia conteúdos semanais para o canal de Facebook da empresa. Logo na sequência, me mandaram para Salzburg, na Áustria, onde a empresa tinha a intenção de abrir um novo resort. Lá minha atividade era de explorar os pontos turísticos da cidade e as redondezas e escrever conteúdo para o site da empresa e também mídias sociais, os quais deveriam ser publicados ao longo de um ano.”

Olimpíadas da Coreia do Sul e salto de ski

Após ser contratada, Mariliza disse que também ficou responsável pela parte de franquia da empresa. Nessa área, sua função era desenvolver toda a parte de comunicação para revistas, páginas do website e campanhas publicitárias.

“Nessa época, participei de eventos internacionais. Fui para a Coreia do Sul, durante as olimpíadas de inverno e também, na própria Eslovênia, participei de um evento internacional de salto de ski, onde representei a minha empresa”.

Mariliza bonesso
PyeongChang, na Coreia do Sul, durante as Olimpíadas de Inverno. Foto: Reprodução/Facebook

Casamento, novo país e novo emprego

Em julho de 2019, no entanto, Mariliza se desligou da Big Berry, onde trabalhou desde 2017. Motivo? Enquanto desenvolvia sua carreira internacional, ela encontrou seu companheiro de vida, se apaixonou e casou.

“Como iria casar e me mudar para a Bulgária, país de meu marido, decidi por não dar continuidade ao trabalho, que exigia que eu ficasse na Eslovênia por, ao menos, seis meses todo o ano”, falou.

Mariliza Bonesse e seu marido, Krasimir Dimkin. Foto: Reprodução/Facebook

Mesmo casada, Mariliza não deixou de lado a carreira internacional. Logo que se mudou para Sofia, capital da Bulgária, ela encontrou um trabalho na área de comunicação e atendimento ao cliente na empresa Sitel, líder global em produtos e soluções de experiência do cliente. Na multinacional, presente em 29 países, ela atuou em um projeto da empresa Johnson & Johnson.

E não foi só isso. Enquanto trabalhava meio período na Sitel, na outra metade do tempo ela montou uma agência de comunicação internacional e começou a tocar projetos junto com o marido, que é da área de Tecnologia da Informação. Além disso, a jornalista aventureira também deu início a produção de um livro. Sim, um livro!


Novo Normal – Reinvente-se


O convite para escrever o livro, como coautora, partiu do escritor e estrategista de comunicação e marketing Mario Persona. Intitulada “Novo Normal – Reinvente-se“, a obra foi lançada no início de outubro deste ano.

Capa do livro “Novo Normal - Reinvente-se"

Ela contou ao Brasileuro que o livro tomou grande parte de seu tempo. Além de editar todo material, que é basicamente formado de entrevistas e artigos produzidos por Persona ao longo de sua carreira, Mariliza trabalhou em toda a diagramação, na versão E-pub, na elaboração de capa e na autopublicação nos sites Amazon e Clube de Autores. Na Amazon, a versão digital da obra custa R$ 24,99.

“Quando recebi o convite do Mario Persona para ser sua coautora e dei início ao trabalho, sabia que o processo seria longo e intenso, mas compensador. Com a chegada da crise, e a consequente desmotivação de muitos profissionais, achei fantástica a possibilidade de publicar um material que empoderasse o profissional, que ficou muito abatido e inseguro no início de tudo”, disse.

No material, há diversos conteúdos ricos sobre estratégicas de marketing. Alguns dos assuntos são marketing pessoal e cuidado com a imagem e qualificação; vendas; comunicação; capacitação profissional e outros. Nas redes sociais, os reviews sobre o livro são extremamente positivos.

“Encontrei no livro ótimas dicas como empreendedora e valiosas reflexões como profissional. O item: ‘Devo investir no marketing promocional’ veio a calhar e as questões pessoais, de autorreflexão como profissional são ótimas e representam o momento que estou vivendo. Mais uma vez, parabéns pelo trabalho!”, escreveu a empresária Aletéia Menegazzo, da Bela Sintonia Cosméticos.

E o futuro?


Mariliza deixou o trabalho na Sitel. Atualmente, ela dedica seu tempo às atividades na agência de comunicação internacional que montou. Na capital da Bulgária, ao lado do marido, a jornalista empreendedora desenvolve sites e plataformas e-commerce e atende clientes de diversos setores, tanto em inglês como em português.

“Para o futuro ainda quero aperfeiçoar meu inglês, continuar aprendendo o búlgaro, francês e italiano, além de aprender programação, atividade que iniciei há quatro meses. Também quero aperfeiçoar as minhas habilidades em gestão de projetos. A carreira internacional, com a qual eu tanto sonhei, está tendo continuidade, mas agora por meio do empreendedorismo e de forma remota por causa da pandemia”, finalizou.

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Sobre o Autor

Lucas Gabriel Marins

Lucas Gabriel Marins

Cofundador e editor do Brasileuro. É jornalista e mestre em comunicação internacional pela Universidade da Borgonha, na França. Já colaborou com diversos veículos de imprensa, como UOL, Gazeta do Povo e Agência Estadual de Notícias (AEN).

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